додому Tecnologia e Ciência Ecologia e Conservação Poeira do Saara e radioatividade na Europa: o que você precisa saber

Poeira do Saara e radioatividade na Europa: o que você precisa saber

Tudo começou no deserto. Os ventos fortes pegam o solo e o jogam no céu. A poeira voa para a atmosfera. Se o vento soprar na direção certa (especialmente do sul), os detritos se moverão para o norte. Atingiu a Espanha. Atingiu Portugal. Abrange o sul da França. Em alguns casos, podem avançar mais para norte e cobrir outras partes do país.

Vemos isso antes de sentirmos. O céu ficou com uma estranha cor cinza-amarelada. O pôr do sol é tão deslumbrante e lindo que as pessoas o chamam de “céu de fogo”. Claro que é lindo. Mas há um problema. Essa cor é poluição.

Há mais no ar do que areia. Partículas PM10. Quando as concentrações aumentam rapidamente, a qualidade do ar deteriora-se rapidamente. Para pessoas com problemas pulmonares como asma e enfisema, isto é um pesadelo. Os médicos não recomendam atividades extenuantes ao ar livre. Não vale a pena correr por esse nevoeiro.

Mas algo mais escuro se esconde na névoa amarela.

Sombras radioativas na poeira do deserto do Saara

As nuvens de poeira do Saara são mais do que apenas sílica e sujeira. Eles carregam a história nos ombros. Em particular, transporta radiação.

Entre 1960 e 1966, a França conduziu polêmicos testes nucleares no deserto do Saara. O solo absorve o sedimento. O césio-137, um isótopo radioativo desses testes, o césio-137, afunda na areia. Agora a mesma areia está a ser soprada de volta para a Europa. O círculo está completo.

As partículas radioativas viajam nos mesmos ventos que trazem a poeira.

Isso significa que estamos expostos a níveis perigosos de radiação? Não necessariamente. A ACRO (Associação para o Controle da Radioatividade no Ocidente) está preocupada com a situação há vários anos. Os seus dados sugerem que os níveis são baixos. Mesmo nas tempestades de areia mais violentas, isto é insignificante.

Ainda assim, a presença de césio-137 na atmosfera da Europa é um resultado directo de decisões tomadas no deserto durante a Guerra Fria. O vento não conhece limites. É apolítico. Basta mover o que está lá.

Então, quando você olhar para aquele pôr do sol ardente, lembre-se de que ele é lindo. É também uma lembrança do que foi enterrado e do que o vento ainda traz de volta.

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