Chatbots de inteligência artificial como o ChatGPT são convenientes, mas um novo estudo revela que eles podem levar a uma retenção de conhecimento mais superficial em comparação com pesquisas tradicionais na web. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia descobriram que as pessoas que dependem de LLMs (Large Language Models) para coletar informações desenvolvem uma compreensão menos aprofundada do que aquelas que usam mecanismos de busca como Google ou Bing.
A ilusão do conhecimento sem esforço
A questão central não é se os LLMs podem fornecer respostas – eles podem. É que a facilidade dessas respostas ultrapassa uma etapa crucial do aprendizado: sintetizar informações de múltiplas fontes. Ao usar um mecanismo de busca, você encontra uma série de perspectivas, forçando-o a avaliar, comparar e integrar ideias. Os LLMs, por outro lado, fornecem resumos predefinidos que exigem menos esforço cognitivo.
Isso é importante porque o conhecimento profundo não envolve apenas memorizar fatos; trata-se de compreender como esses fatos se conectam e por que são importantes. O estudo envolveu mais de 10.000 participantes pesquisando temas como jardinagem ou vida saudável. Aqueles que usaram o ChatGPT produziram resumos menos informativos sobre o que aprenderam – e eram menos propensos a seguir seus próprios conselhos posteriormente.
O problema do link: mesmo com as fontes, os usuários não se aprofundam
Os pesquisadores até testaram o ChatGPT com links integrados para fontes originais. Surpreendentemente, apenas cerca de 25% dos usuários clicaram nesses links. Isto sugere que a conveniência do resumo do chatbot desencoraja uma exploração mais aprofundada. As pessoas não estão apenas obtendo respostas; eles estão evitando o trabalho de aprendizagem mais profunda.
“Os LLMs podem reduzir a carga de ter que sintetizar informações para si mesmo… Essa facilidade tem o custo de desenvolver um conhecimento mais profundo sobre um tópico.” – Shiri Melumad, Universidade da Pensilvânia
A solução não é evitar a IA, mas usá-la com sabedoria
As descobertas não significam que os LLMs sejam inúteis. Como aponta o psicólogo da Carnegie Mellon, Daniel Oppenheimer, os usuários ainda podem se beneficiar se seguirem os links fornecidos ou verificarem as informações de forma independente. O problema não é a ferramenta em si, mas como as pessoas a usam naturalmente.
Para aprender de forma eficaz com IA, trate-a como um ponto de partida, não como um ponto final. Clique nesses links. Compare diferentes fontes. Desafie as respostas do chatbot. Só então você poderá desbloquear seu potencial sem sacrificar a profundidade de sua compreensão.
O estudo sublinha uma verdade fundamental: a aprendizagem genuína requer esforço. Embora os chatbots ofereçam conveniência, o verdadeiro conhecimento exige envolvimento, pensamento crítico e vontade de explorar além da superfície.
