A central nuclear de Chernobyl perde energia, mas o risco de colapso permanece baixo

7

A Central Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, perdeu o fornecimento de electricidade, cortando a energia dos sistemas que refrigeram o combustível nuclear irradiado. Embora isto suscite preocupações, os especialistas dizem que o risco de um colapso é actualmente baixo devido à idade do combustível armazenado. A interrupção é uma consequência dos recentes ataques militares russos à infra-estrutura eléctrica ucraniana, conforme relatado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Sistemas de resfriamento off-line

Os reservatórios de combustível irradiado da usina exigem resfriamento contínuo para evitar superaquecimento. O combustível nuclear continua a emitir radiação e calor durante anos após ser removido dos reactores e, sem arrefecimento activo, a temperatura da água nos tanques de armazenamento aumentará, aumentando a evaporação. A falta de gestão deste calor pode eventualmente levar a danos no combustível e à libertação de materiais radioactivos.

Por que o combustível mais antigo representa menos risco

Contudo, o combustível armazenado em Chernobyl é mais antigo e já sofreu um decaimento radioativo significativo. Isto significa que gera menos calor do que o combustível recentemente irradiado. De acordo com Paul Cosgrove, da Universidade de Cambridge, “o combustível está lá há 20 anos, por isso terá decaído. Mais e mais dessa energia desaparecerá”. A situação é menos crítica do que em 2022, quando ocorreram cortes de energia semelhantes.

O alvo da Rússia na infraestrutura ucraniana

A perda de poder em Chernobyl faz parte de um padrão mais amplo de ações russas que colocam em risco a segurança nuclear na Ucrânia. Estas incluem a ocupação de Chernobyl nas fases iniciais da guerra, o controlo contínuo da Central Nuclear de Zaporizhzhia e ataques directos a instalações nucleares. Em Fevereiro do ano passado, um ataque de drone danificou a estrutura do Novo Confinamento Seguro construída sobre as ruínas do reactor 4 de Chernobyl.

A AIEA está a acompanhar de perto a situação, mas o incidente sublinha a vulnerabilidade das instalações nucleares em zonas de conflito. A interrupção dos sistemas de refrigeração, mesmo que temporariamente, destaca a necessidade de protocolos de segurança robustos e supervisão internacional.

O corte de energia em Chernobyl lembra-nos que, embora o risco imediato esteja contido, os ataques sustentados a infra-estruturas críticas poderão agravar a ameaça no futuro.