Uma recente expedição às cavernas calcárias do oeste do Camboja resultou na descoberta de três espécies de lagartixas até então desconhecidas, juntamente com dois novos microcaracóis e duas espécies de milípedes. As descobertas sublinham a biodiversidade crítica, muitas vezes negligenciada, nas paisagens cársticas – e a necessidade urgente da sua protecção.
O mundo oculto das cavernas cársticas
As formações cársticas, esculpidas por milénios de erosão hídrica, criam “laboratórios insulares” isolados de evolução. Estas colinas e sistemas de cavernas atuam como barreiras naturais, impedindo o cruzamento de espécies e permitindo que populações únicas diverjam ao longo do tempo. Mesmo um único quilómetro de separação pode levar ao desenvolvimento de espécies distintas, algumas isoladas durante milhares ou milhões de anos. A equipe de 20 pesquisadores pesquisou mais de 60 cavernas na província de Battambang, trabalhando principalmente à noite, quando as criaturas estão mais ativas.
As descobertas
As lagartixas recentemente identificadas incluem uma espécie impressionante apelidada de “andarilho noturno” e outra com uma mordida surpreendentemente potente. Uma lagartixa tinha aproximadamente 20 centímetros de comprimento, muito maior do que as lagartixas comuns. O processo de descoberta, porém, envolve uma realidade difícil: descrever novas espécies exige o sacrifício de espécimes para análises anatômicas e genéticas detalhadas. Os pesquisadores devem sacrificar os animais para estudar características como contagem de escamas, comprimento da cauda e composição do DNA.
Uma ameaça a ecossistemas únicos
A preocupação final dos pesquisadores é a preservação desses ecossistemas. As colinas cársticas estão sob pressão crescente de indústrias como a produção de cimento. Destruir até mesmo uma colina pode significar a extinção de espécies inteiras e localizadas. Este não é um problema exclusivo do Camboja; é uma tendência global impulsionada pela procura de matérias-primas.
Essas criaturas não existem em nenhum outro lugar… elas são laboratórios evolutivos únicos. Como podemos transformar as colinas em cimento? Eles não são apenas pedras.
As descobertas servem como um lembrete claro de que estas paisagens não são simplesmente formações geológicas, mas repositórios de história evolutiva insubstituível. A urgência dos esforços de conservação é clara: se estes ecossistemas não forem protegidos, correm o risco de desaparecer antes mesmo de o seu significado total ser compreendido.
A equipe espera confirmar a existência de mais três espécies de lagartixas e uma nova espécie de víbora. As descobertas reforçam o fato de que ainda existem espécies não descobertas esperando para serem encontradas.