O mundo oculto da Antártica: mapeamento por satélite revela detalhes sem precedentes sob o gelo

11

Durante décadas, a Antártica permaneceu uma das regiões menos exploradas da Terra. Embora a sua superfície seja relativamente bem documentada, a paisagem por baixo do gelo – escondida até cinco quilómetros de profundidade – tem sido um mistério. Novas técnicas de mapeamento baseadas em satélite estão agora a mudar isso, fornecendo a imagem mais detalhada até agora da topografia subglacial do continente.

O desafio de mapear o desconhecido

Os métodos tradicionais para mapear a base rochosa da Antártica dependem de pesquisas terrestres e aéreas caras e pouco frequentes. Estas expedições são logisticamente complexas e requerem recursos significativos, deixando vastas áreas inexploradas. A enorme escala do continente, aliada às condições climáticas extremas, torna o mapeamento abrangente uma tarefa difícil.

Avanço na análise de perturbação do fluxo de gelo

Pesquisadores liderados por Helen Ockenden, da Universidade de Edimburgo, e do Institut des Geosciences de l’Environnement, na França, foram pioneiros em uma nova abordagem usando Ice Flow Perturbation Analysis (IFPA). Esta técnica combina observações detalhadas da superfície do gelo por satélite com a física estabelecida do fluxo de gelo para inferir a topografia subjacente.

“Nosso mapa IFPA da paisagem subglacial da Antártica revela que um enorme nível de detalhe sobre a topografia subglacial da Antártida pode ser invertido a partir de observações de satélite da superfície do gelo…” – Ockenden et al.

O resultado? Um mapa que revela características geológicas anteriormente desconhecidas, incluindo canais íngremes potencialmente ligados a antigos sistemas de drenagem montanhosa e vales profundos em forma de U que lembram formações glaciais encontradas em outras partes da Terra.

Por que isso é importante: aumento do nível do mar e paisagens antigas

Compreender a paisagem subglacial da Antártica é fundamental por vários motivos:

  • Previsão do comportamento do manto de gelo: A topografia abaixo do gelo influencia diretamente a forma como o gelo flui e, em última análise, a rapidez com que derrete. Mapas precisos ajudam a prever contribuições futuras para o aumento global do nível do mar.
  • Reconstruindo a Antártica Antiga: As características recém-descobertas sugerem pistas sobre a história geológica do continente antes de ser coberto por gelo. Essas formações poderiam revelar detalhes sobre antigas cadeias de montanhas, sistemas fluviais e processos tectônicos.

Limitações e perspectivas futuras

Atualmente, o método IFPA resolve feições em mesoescala (2 a 30 quilômetros). Formas de relevo menores permanecem fora de seu alcance. A próxima etapa é direcionar futuras pesquisas geofísicas com base nessas descobertas, refinando o mapa com dados de maior resolução.

O próximo Ano Polar Internacional 2031-2033 oferece uma oportunidade única para esforços globais coordenados para integrar técnicas de observação e modelagem, desvendando ainda mais os mistérios sob o gelo da Antártida.

Este novo nível de detalhe é um avanço significativo na compreensão de uma das regiões mais remotas e vitais da Terra. Com a investigação contínua e os avanços tecnológicos, o mundo oculto sob a Antártica ficará mais claro, impactando, em última análise, a nossa compreensão das alterações climáticas e do passado geológico do planeta.