Agathans são os excêntricos do mundo dos vertebrados. Eles são os remanescentes vivos de uma linhagem que se separou antes que a evolução descobrisse como construir uma mandíbula.
Se você olhar para eles através das lentes da anatomia moderna, verá que falta muita coisa. Os Agathans não possuem o maquinário pesado que define a maioria dos outros crânios. Eles não têm mandíbulas. Não possuem nadadeiras laterais sustentadas por raios ósseos. Eles não têm vértebras verdadeiras. Até mesmo seus ouvidos internos são mais simples, sem o canal semicircular horizontal que ajuda outros animais a manter o equilíbrio no espaço tridimensional.
Eles também não possuem dutos genitais, uma característica presente em quase todos os outros crânios.
Estas não são omissões triviais. A ausência de mandíbula muda tudo na forma como um animal come, se defende e interage com o ambiente. A falta de nadadeiras emparelhadas limita a manobrabilidade. A ausência de vértebras verdadeiras significa que seu suporte estrutural é diferente, contando com uma notocorda por muito mais tempo do que seus sucessores.
Comparados aos gnatóstomos – o grupo que inclui tubarões, peixes ósseos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos – os agnatanos são estruturalmente mais simples. Suas guelras são semelhantes a bolsas, em vez das estruturas em arco mais complexas vistas em vertebrados com mandíbula. Toda a sua estrutura fisiológica é simplificada, ou talvez subdesenvolvida, dependendo da sua perspectiva.
Essa simplicidade não é um bug. É uma característica de uma antiga estratégia de sobrevivência. Enquanto os gnatóstomos evoluíam para predadores com forças de mordida esmagadoras e capacidade ágil de natação, os agátanos, como as lampreias e os peixes-bruxa, fixaram-se em um nicho que exigia menos complexidade. Eles são catadores. Eles são parasitas. Eles são filtros.
A questão não é por que eles são “primitivos”. É por isso que eles sobreviveram. Num mundo dominado por concorrentes mandibulares, os agathans permanecem. Eles persistem porque a falta de certas estruturas lhes permite existir de uma forma que animais mais complexos não conseguem. Eles escorregam para a carne. Eles filtram o plâncton. Eles resistem.
A sua existência desafia a suposição de que a evolução é uma linha reta em direção a uma maior complexidade. Os Agathans provam que a simplicidade pode ser um ponto final viável.