Sagitário A* parece menos um excêntrico cósmico agora.
Os astrônomos encontraram um buraco em forma de cone no gás ao redor do centro da galáxia. É um grande negócio. Este vazio resolve um mistério de cinquenta anos sobre o nosso buraco negro supermassivo.
A teoria diz que os buracos negros ativos deveriam expulsar a matéria à medida que se alimentam. É assim que eles moldam as galáxias. Eles não apenas consomem. Eles expiram. Mas nunca vimos Sgr A* fazer isso. Nem uma dica. Sem jatos. Sem ventos. Nada.
Até agora.
“Esta é a primeira vez que tivemos uma visão suficientemente limpa para ver a marca do vento” — Mark Gorski
Mark Gorski ajudou a liderar o estudo da Northwestern University. Ele chama a lacuna de uma seta apontando para o buraco negro.
A equipe mapeou gás frio com telescópios ALMA no Chile. Eles assistiram por cinco anos. A imagem resultante é mais nítida. Oitenta vezes mais nítido. Mais profundo também. Cem vezes mais profundo do que qualquer coisa antes.
Eles viram o cone. Ela se estende de um a três anos-luz de distância.
No começo, parecia estranho. Como um erro. Elena Murchikova diz que encontrar algo novo não traz alegria em primeiro lugar. Isso traz pânico. Você verifica sua matemática. Você se pergunta se você estragou tudo.
Eles cruzaram com os dados de raios X do Chandra. Isso confirmou. O cone não era uma falha.
O vento sopra há vinte mil anos. Pelo menos. Foi necessária uma energia enorme para limpar esse caminho. Mais do que todas as estrelas locais juntas.
O vento está quente. Ele tirou o gás frio do caminho. Mas não é um feixe limpo. Está inclinado. Bagunçado. Fraco, talvez, atingido pela poeira espessa e pelo gás ionizado do centro galáctico. Estamos olhando através do plano da galáxia, que obscurece tudo. Sgr A* também está em uma fase tranquila neste momento, alimentando-se lentamente, tornando as exalações mais difíceis de detectar.
Isso significa que Sgr A* é estranho? Um outlier exótico entre bilhões?
Provavelmente não.
“Isso mostra que nosso buraco negro não é único” — Elena Murchikova
A descoberta sugere que o centro da nossa galáxia segue as mesmas regras que os outros. Física padrão. Buracos negros padrão. Sem estranheza. Apenas um vento oculto que finalmente nos preocupamos em olhar de perto o suficiente para ver.

























