Nove novos genes explicam por que algumas mulheres não conseguem comer durante a gravidez

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A doença da gravidez não é apenas azar. Está no seu DNA.

Durante anos, os médicos consideraram a hiperêmese gravídica (HG) como nervosismo psicológico ou fraco. Isso terminou com um enorme estudo internacional publicado na Nature Genetics. A Escola de Medicina Keck da USC liderou o ataque, encontrando mais nove genes ligados ao HG. Seis são novas descobertas.

Isto não é uma náusea leve. HG afeta cerca de 2% das gestações. As mulheres vomitam implacavelmente. Comer se torna uma batalha física. O corpo morre de fome. A desidratação se instala. Os riscos para o bebê e para a mãe disparam.

A grande descoberta anterior envolveu o hormônio GDF15. O novo trabalho baseia-se nessa base, mas parece mais amplo.

Os pesquisadores analisaram o DNA de mais de 10.000 mulheres com HG. Eles os compararam com 461 mil controles. Os ancestrais abrangeram grupos da Europa, Ásia, África e latinos. A escala não tinha precedentes.

“Conseguimos descobrir detalhes até então desconhecidos”, explicou Marlena Fejzo. Ela é a professora assistente clínica que liderou o estudo. Mais participantes significavam sinais mais claros.

GDF15 continua sendo o maior vilão aqui. O hormônio aumenta durante a gravidez. Seus genes determinam como seu corpo reage.

Algumas mulheres têm mutações que as impedem de ver o GDF15 com frequência. Seus sistemas não estão acostumados com isso. Quando a gravidez chega, o choque é grave. Segue-se o vômito. Mulheres geneticamente acostumadas a níveis mais elevados se saem melhor.

“O fato de termos estudado vários grupos de ancestrais sugere que os resultados se aplicam amplamente.”

Essa é a outra vitória aqui. A diversidade é importante.

Quatro genes já estavam no mapa. GFRAL produz o receptor do hormônio. IGFBP7 e PGR ajudam a construir a placenta. Tarifa padrão até agora.

Depois vieram os novos seis.

Um se destaca: TCF7L2. É um fator de risco conhecido para diabetes tipo 2. Também está relacionado ao diabetes gestacional. A conexão faz sentido. Este gene provavelmente interage com GLP-1, um hormônio intestinal que controla o açúcar no sangue, o apetite e as náuseas.

Um novo alvo surge.

Outros genes apontam para o controle do apetite e a plasticidade cerebral. Seu cérebro pode literalmente aprender a associar certos alimentos a doenças. Não é apenas a biologia lutando contra si mesma. São vias neurais que se prendem às aversões.

Por que o cérebro muda assim?

O estudo não encontrou apenas causas. Encontrou complicações. Alguns genes ligados ao HG estão ligados a gestações mais curtas e pré-eclâmpsia. Um perigoso ciclo de condições.

As opções de tratamento são…meh agora. Zofran trabalha para talvez metade das pessoas. O alívio parcial não resolve quando você está morrendo de fome.

É aqui que fica interessante.

A equipe de Fejzo está testando Metformina. Um medicamento comum para diabetes. Ele aumenta os níveis de GDF15 naturalmente.

A teoria? Tome antes de engravidar. Dessensibilize seu corpo. Ensine o sistema a ignorar o pico hormonal. Evite totalmente a doença.

É um ataque preventivo contra as náuseas.

Ainda não temos as respostas. Os ensaios clínicos levarão tempo. Mas o caminho está mais claro agora. Não estamos apenas tratando sintomas. Estamos olhando a fiação por baixo.

Talvez finalmente paremos de culpar a psicologia pelo que é puramente biologia.

“Agora podemos nos aprofundar em novos caminhos possíveis para o tratamento.”

O trabalho está feito. O jogo de espera começa agora.

Referência: Fejzo M, et al. Associação de todo o genoma de múltiplas ascendências… Nature Genetics. Abril de 2024. [1]