As mulheres são classificadas como mais bonitas que os homens.
Por outras mulheres também.
Parece ridículo. Mas é verdade. A “lacuna de atratividade de gênero” é uma coisa. Séculos de linguagem chamaram as mulheres de beau sexe ou sexo frágil, e os pesquisadores finalmente verificaram os recibos. O Dr. Eugen Wassiliwizky, do Instituto Max Planck, na Alemanha, lidera o processo. Ele diz que os rostos femininos superam os rostos masculinos em todas as culturas, ignorando praticamente todas as outras variáveis. O choque? As mulheres avaliam melhor as outras mulheres, enquanto os homens obtêm as pontuações mais baixas em geral.
Pense novamente em Darwin. O naturalista vitoriano olhou ao redor do reino animal. Ele viu pássaros com plumagens extravagantes, pavões com caudas brilhantes. Ele imaginou que esses caras se reproduziam porque as mulheres gostavam da ostentação. Seleção sexual. Bastante simples.
Darwin pensava que os humanos eram a exceção. Ele presumia que os homens lutavam entre si por recursos ou poder, não porque parecessem modelos. Os biólogos evolucionistas discutem há décadas sobre esta estranheza humana. Todos aceitaram que as mulheres eram o “sexo frágil” como um fato, teorizaram sobre por que isso aconteceu, mas nunca testaram se isso era mesmo verdade. Até agora.
“Rostos femininos são avaliados como mais atraentes que rostos masculinos, independentemente de todos os outros fatores”
O estudo não é pequeno.
Também não é local. A equipe de Wassiliwizky obteve o maior conjunto de dados do mundo sobre classificações faciais. Analisaram 52 estudos separados abrangendo 76 países. São mais de 1,5 milhão de avaliações. 17.000 rostos diferentes. Quase 30.000 pessoas fazendo a avaliação. O rosto da mulher média supera cerca de 60% de todos os rostos masculinos. A lacuna é maior nas culturas ocidentais. Isso muda um pouco dependendo se o avaliador é hetero, gay, bissexual ou lésbica. O padrão se mantém. A única vez que quebra? Quando as pessoas se avaliam. O ego preenche as rachaduras aí.
A estrutura é importante.
Os homens tendem a mandíbulas quadradas e rostos retangulares. As mulheres geralmente têm feições mais suaves e arredondadas. Os dados mostram que gostamos de coisas mais redondas. Talvez isso seja biologia. Talvez não seja. O estudo não nos dá uma razão, apenas um padrão. Wassiliwizky duvida que a cultura por si só explique algo que aparece globalmente. Ele se pergunta se isso remonta aos bebês. Os recém-nascidos têm rostos redondos. Talvez estejamos programados para achar essa forma atraente. Mas ele alerta contra tirar conclusões precipitadas. Não podemos provar que a selecção sexual o fez só porque a tendência existe. Temos que ter cuidado.
O envelhecimento mata a lacuna.
Susan Sontag escreveu “O Duplo Padrão do Envelhecimento” em 1972. Ela argumentou que a sociedade vinculava o valor das mulheres à sua aparência e a sua aparência à juventude. Os homens não são atingidos pelo mesmo martelo. Esta nova pesquisa confirma isso. A preferência pela atratividade feminina cai constantemente a partir dos 18 anos. Ela diminui ano após ano. Quando as pessoas chegam aos 80 anos?
A diferença desapareceu.
Quanto mais velhos ficamos, mais nossos rostos convergem. As diferenças estruturais diminuem. A pele afunda, formam-se linhas. Homens e mulheres acabam se parecendo mais em termos de geometria facial. A distinção “mais justa” desaparece. O que nos deixa pensando: quanto da beleza é apenas estrutura óssea versus pele? A lacuna fecha quando a pele falha. Talvez a coisa toda fosse uma ilusão superficial, para começar. 🏳️
