Vai ser uma bagunça. A próxima missão da NASA, Artemis III, envolve quatro astronautas, três naves espaciais diferentes e cerca de duas semanas de ginástica orbital que fazem a Apollo parecer um trajeto diário.
Se o plano for válido, veremos o primeiro voo tripulado da NASA se encontrar e atracar com dois módulos de pouso separados e com tripulação. Parece simples no papel. Não é. Esta missão é um teste de estresse para tudo o que vem depois.
A Coreografia do Caos
Artemis III não se trata de pousar. Trata-se de provar que a transferência funciona. A espaçonave Orion, lançada no foguete SLS da NASA, irá estacionar na órbita da Terra. Lá, ele encontrará duas sondas comerciais: a Starship da SpaceX e a Blue Moon da Blue Origin.
O objetivo é uma dança complexa. Orion atraca com Blue Moon. Então ele desencaixa. Então ele encontra a nave estelar. Então chega em casa.
“Artemis III será uma dança altamente coreografada com uma sequência de lançamento exigente”, disse o gerente do programa Artemis, Jeremy Parsons. Um passo errado e tudo se desfaz.
Apenas uma missão na história conseguiu a façanha do encontro com múltiplas naves espaciais: a Soyuz T-15 de 1986. Esse cosmonauta visitou a Salyut 7 e depois voou para a Mir. A América tentou com o Gemini 10, mas não deu certo com a segunda sonda. As missões do ônibus espacial capturaram alguns satélites, mas nada exigia esse nível de coordenação de veículos de lançamento múltiplo.
Artemis III precisa disso. Os módulos de pouso são lançados em diferentes foguetes, de diferentes plataformas, em diferentes agências. New Glenn da Blue Origin é lançado no Cabo Canaveral. O SLS da NASA decola de Kennedy. Nave estelar da SpaceX? Talvez Kennedy. Talvez Cabo. Ainda não sabemos.
Lua Azul assume a liderança
O módulo de pouso da Blue Origin vai primeiro. O Blue Moon Mark 2 (Mk) fica em órbita por até 30 dias. É tempo suficiente para verificar seus sistemas, confirmar a funcionalidade e garantir que não exploda antes da chegada da tripulação.
Por que tanto tempo de espera? Porque os landers não são as versões finais. Eles são protótipos. A Blue Origin tem trabalhado para obter um módulo lunar certificado, mas a missão de demonstração Mk 1 enfrentou contratempos. Um foguete New Glenn explodiu durante um teste de motor em maio. O CEO Dave Limp diz que os reparos estão em andamento e o voo pode ser retomado no final de 2026, mas o pouso não tripulado do Mk 1 é fundamental para a certificação da NASA. Nenhum pouso sem tripulação significa nenhum pouso com tripulação. Período.
Orion é lançado em segundo lugar, decolando do Complexo 39B de Kennedy. Ele encontra a Lua Azul na órbita baixa da Terra. Ancoragem. Ficar lá por dois dias. Testando controles ambientais. Aviônica. Interoperabilidade.
E sim, eles estão testando trajes espaciais. Um artigo de teste do traje EVA é lançado com a Lua Azul. Os engenheiros querem dados sobre como o traje interage dentro da cabine apertada antes que alguém ande na Lua.
Starship chega tarde
A nave estelar é lançada por último. Depois que Orion se desencaixa da Blue Moon e volta a atracar com a Starship, a diversão começa. Ou a fase de testes começa, de qualquer maneira.
A SpaceX está atualmente construindo duas torres Starship na Flórida. Um no 39A do KSC. Outro em SLC-37. A NASA não disse qual plataforma o Artemis III usará. Ainda.
Starship Flight-12 introduziu a versão 3 (V3). Esse é o design do Artemis III. Não está pronto para as pessoas. O V3 não possui cabine de tripulação. Em vez disso, Orion e Starship testam comunicações e manobras. Eles verificam o adaptador de acoplamento.
Mas o V3 possui hardware lunar real. Inclui portas de acoplamento para transferências de propelente. A nave estelar precisa de reabastecimento para ir além da órbita baixa da Terra. A NASA estima pelo menos 15 lançamentos de reabastecimento para Artemis IV. O armazenamento de combustível criogênico no espaço é outro obstáculo que ambos os módulos de pouso devem superar antes que as missões tripuladas sejam seguras.
O Longo Caminho para a Lua
Operações bem-sucedidas com ambos os módulos de pouso abrem caminho para Artemis IV. Essa é a missão de 2028. Atualmente está programado para o ano de 2028, salvo atrasos. Starship é o veículo selecionado para o pouso lunar real. Os primeiros humanos voltaram à superfície em mais de meio século.
Para Artemis III, porém, o que está em jogo é puramente técnico. Um lançamento por módulo de pouso. Janela ampla. Orion fica com a Starship por cerca de um dia. Depois desencaixa. Prepara-se para voltar para casa.
Respingo. Pára-quedas. Oceano Pacífico na costa oeste dos EUA.
O mesmo que Ártemis II. O mesmo que Apolo. Apenas… hardware diferente. Mais complexo. Mais risco.
O foguete queima. A cápsula se separa. Duas semanas em órbita se estendem como uma vida inteira para a equipe de terra.
As travas de encaixe aguentarão? As comunicações permanecerão abertas? A Starship reabastecerá adequadamente no vácuo?
Veremos.























